
Quando alguém se refere a outra pessoa dizendo se tratar de um louco, logo se presume ser um exagero , uma forma ilustrada por pensamentos e atitudes não convencionais. Mas aquele louco de Taguatinga era realmente louco! Atitudes repentinas, coração bom, frieza, depressões, três meses sem tomar banho usando pantufas do Mickey, fervorosas declarações de amor pra sua garota e na manhã seguinte um sonoro " Não quero nunca mais te ver, some da minha vida! ",psicose, o olhar perdido e uma inteligência crítica admiravel! Tinha uma poder persuasivo intenso. Se tornava agressivo muitas vezes, se achava incompreendio e era um boêmio nato.
Nada na vida lhe dava medo e muito menos o novo. O novo que seria impressionante e estranho era seu preferido drink. Coloca a face no jogo e ja havia visitado o céu e o inferno, bradava aos mais íntimos que sua maior vontade era conversar com o diabo cara a cara, frente a frente, materializado, olhos nos olhos. Certa vez quebrou sua velha vitrola por tristeza e angústia, outra vez, presenteou seu amigo com duendes e flores. Gostava de pescar Ali nas margens do lago Paranoá ele encontrava uma calma e uma paz que eram artigos raros em sua vida. O céu refletido no lago, os sandwiches envoltos em papel alumínio,o vinho gelado, o prazer de fritar os peixes perto das águas , a companhia de poucos e fortes amigos lhe tiravam por momentos as nuvens mortíferas do pensamento.
Muitos a princípio dizam que ele fazia tipo. Que era tudo pose. Porém quando obtiam com R.J o mínimo de convívio evidenciavam de fato a sua loucura. Não se apaixonava quase nunca. Quando sentia que algum envolvimento maior se aproximava se afastava sem dizer tchau.
Uma vez o Louco respirou tanto que nao dormiu, ouviu vozes, viu formas , bebeu quase um litro de conhaque , olhou por debaiixo das portas pensando haver alguem e pediu silêncio absoluto. Pediu o silêncio com gestos, nao conseguia falar. Quase a morte o levou naquele dia. Intensidade quase faltal. Seria ali o seu encontro com o diabo??
A polícia invadiu sua casa na tarde do dia seguinte a pedido de sua mãe. O Louco relutou e enfrentou de mão limpa os policiais. Xingava a todos aos berros e dizia que não podiam estar ali.
R.J foi imobilizado e levado para delegacia naquela tarde de sábado. Defronte ao delegado ele assumiu seus vícios, se permitiu depois ao silêncio decorado pela fumaça de seu cigarro. Foi liberado.
O Louco então seguiu para casa de uns amigos , contou o acontecido e , sorrindo, perguntou onde a cerveja era mais barata.
Assistiu Assassinos por Natureza e raspou sua cabeça em homenagem a Mick e Mallory! Ele acreditava num louco amor... Não usava preservertivo na maioria das vezes. e com uma ar de insano dizia que qualquer coisa se resolve sempre de um jeito ou de outro. Louco! Ele sempre ressaltava que as armas existiam, que eram um mal necessário e que o fim era certo.
No seu novo apartamento ele criou normas.Os arrombadores de carros e também pichadores da GDF podiam se acomodar por ali por algume tempo desde que no seu recinto nao faltasse comida, muita bebida, cigarros e adjacentes. Os seus novos " familiares " eram viciados quase romanticos, roubavam apenas pelo prazer. O prazer do churrasco sábado a noite, segunda a noite, ou quarta a noite... A vida leve demais..o prazer...
Todos respeitavam o louco R.J ! Uma certa vez numa discussão com um dos " hóspedes" , ele quebrou a pia de mármore com uma cabeçada aos berros , qurendo matar!! Louco!!
Uma vez ele saiu da Praça do Di no seu Voyage as 4 horas da manha com destino a Ceilandia. O louco queria brilho! Ele foi e chegando no destino simplesmente abriu a porta do carro, acendeu um cigarro e esperou...
Foi quando se aproximaram dois sujeitos com correntes no pescoço, fumando e perguntado o que eles queriam ali:
_ O que voce quer ??
_Duas g!
O dois das correntes sacaram um calibre 38 e mandaram que descessem do carro. Queriam que entrassem o louco e sem comparsa no porta-malas, mas a sorte minima os fez ver que nao haveria espaço.
O Louco seguia no banco de tras olhando pro lado e batucando baixinho um samba do Chico Buarque.
Revolver apontado pros dois do banco de tras e o que segurava o revolver visivelmente sob efeito de crack.
Disseram que so queriam o carro e que nao iam matar ninguem. Pararam num bar e entrou no veiculo um terceiro .Quando um dos bandidos fez menção em puxar o cordão do pescoço do Louco ele ainda falou: _Não leve esse cordão! É herança de familia! Louco!
Os bandidos riram e pouparam o cordao do nosso heroi. Partiram pra um conhecido local de desova chamdo Parque da Barragem e diziam sorrindo: _Fica tranquilo! Depois que vc estiver morto a gente leva o cordão e voce nao vai ter ressentimentos.
Pararam o carro! Mandaram descer! O amigo do louco desceu em disparada enquanto o velho R.J saiu andando devagarinho, assobiando e com um cigarro lento no canto da boca.
Seguidamente andaram alguns quilometros até passar um onibus que os levaram de volta para Taguatinga.
Foram pra um bar. Duas coxinhas, 4 esfirras e 6 latas de cerveja.
Tudo bem...O dia continuaria lindo e R.J pra sempre louco!!!